Dia da Mulher: O papel da liderança feminina nas empresas
O Dia da Mulher serve, entre outros motivos, para refletir sobre a presença feminina no mercado de trabalho. E quando pensamos especificamente sobre liderança feminina em altos cargos, lembramos de grandes empresas como Nubank e Grupo Fleury. Mas esses são casos isolados. Apenas 8% das posições de CEO são ocupadas por mulheres, segundo o Índice de Igualdade de Gênero 2023 da Bloomberg.
É verdade que o cenário tem melhorado. Afinal, as mulheres ocupavam 13% das presidências das organizações brasileiras em 2019 e, em 2022, este número aumentou para 17%. Além disso, passaram de 23% para 34% das vice-presidências e mantiveram a porcentagem de 26% das diretorias executivas.
Os dados, verificados no Panorama Mulheres 2023, elaborado pelo Talenses Group e pelo Insper, ainda indicam um benefício importante a negócios que contam com executivas principais mulheres. Nesses casos, a proporção delas nos Conselhos de administração é 2,7 vezes maior do que nas empresas em que o cargo máximo é ocupado por homens – e duas vezes maior quando há um plano de ação para diversidade de gênero. Sendo que, neste órgão, as mulheres são 21% dos integrantes.
O porte das empresas é outra informação interessante. A paridade de gênero nos Conselhos é superior em empresas pequenas (35%) e médias (33%), e menor nas grandes (21%).
No mês marcado pelo Dia da Mulher, é essencial refletirmos sobre esses dados. O Brasil pode se orgulhar deles ou é necessário promover melhorias? E, ainda mais importante, o que as empresas e a economia brasileira estão perdendo com a ausência de equidade de gênero?
Benefícios da liderança feminina
Com o fortalecimento das práticas ESG no mercado brasileiro, houve um aumento da demanda por mulheres nos Conselhos. De acordo com um estudo recente realizado pela companhia de recrutamento executivo Evermonte, em 2020, cerca de 44% das companhias demonstravam interesse na contratação de conselheiras. Em 2022, este número passou para 78%.
De fato, é estratégico para os negócios contar com lideranças femininas. Por quê? A lista de motivos é longa e atravessa diversos âmbitos das empresas.
As mulheres contribuem para o aumento da capacidade de inovação e criatividade, gerando companhias mais produtivas, cooperativas, organizadas e humanas. A lucratividade também ganha reforços. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 71% das empresas brasileiras obtiveram entre 5% e 15% de aumento nos lucros por contarem com líderes mulheres.
A diversidade e a equidade de gênero ainda são atrativas aos investimentos e bem-quistas pelo mercado. Tanto é que a B3 estabeleceu que até 2026 as empresas listadas incluam ao menos uma mulher e uma minoria sub-representada (pessoas pretas ou com deficiências, por exemplo) em seus Conselhos de Administração ou cargos executivos.
A equidade de gênero nestas equipes aumentou em 14% a chance de superar a performance dos concorrentes. O dado é da edição 2020 do estudo “Diversity Matters”, realizado pela consultoria McKinsey. O levantamento também verificou uma probabilidade 93% maior de o negócio ter um desempenho financeiro superior ao da concorrência quando os funcionários notam um equilíbrio entre as oportunidades para mulheres e homens.
A equidade racial é outro benefício. Em empresas com presidência feminina, 17,9% da diretoria é formada por mulheres negras. Já em caso de executivo principal homem, apenas 4% das diretoras são negras. Além disso, a disparidade salarial é 50% menor em empresas com lideranças femininas.
Como se pode esperar, os impactos extrapolam os muros das empresas. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a equidade de gênero nas relações de trabalho aumentaria o PIB global em 35%.
Como impulsionar a liderança feminina nas empresas
Alavancar a liderança feminina requer eliminar os obstáculos particulares da trajetória das mulheres no mercado de trabalho, como exigir uma disponibilidade em tempo integral. Afinal, elas costumam dedicar 95% mais tempo às tarefas domésticas do que os homens, tendo menos espaço para outras demandas, assinala o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Por isso, entre as ações para atrair, possibilitar, reter e incentivar a liderança feminina está o estabelecimento de políticas de recrutamento afirmativas, modelos de trabalho com horários flexíveis ou home office e treinamentos para lideranças, mentorias e coaching para mulheres. Outra medida é considerar o desempenho geral e as contribuições das funcionárias na avaliação para promoções.
Há particularidades nas empresas familiares – que, de acordo com uma pesquisa da consultoria KPMG, contam com 22% de líderes mulheres. Para assumir a gestão de um negócio e manter sua qualidade, além de alavancar seus resultados, é primordial nutrir uma vontade sincera e verdadeira em ascender ao cargo. Isso é concretizado a partir de três passos básicos:
- Buscar capacitação adequada;
- Acompanhar a rotina do negócio para entender suas particularidades e necessidades, atuando em diversos setores;
- Organizar a sucessão com antecedência e em um momento de harmonia familiar.
Ou seja, as gerações sucessoras devem ser proativas e inovadoras e tomarem riscos. Sem esquecer do valor emocional intrínseco a ter e administrar uma empresa familiar, valorizando mais do que apenas a riqueza financeira.
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